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Terça, 07 de Abril de 2009

Significante

Uso de violência e danos financeiros à vítima impedem aplicação do princípio da insignificância.

Nesta semana, a Segunda Turma do STF negou a aplicação do princípio da insignificância a dois casos que envolviam condenação por furto e por roubo de quantidade ínfima de dinheiro, entre R$ 25,00 e R$ 40,00. Os casos não preenchiam, segundo os ministros, os pré-requisitos para aplicação do dispositivo. As decisões foram unânimes.Em um dos casos, os ministros levaram em consideração a relevância, para a vítima, da lesão jurídica provocada. Eles indeferiram o pedido de RHC 96813 (clique aqui) em favor de um condenado a quatro meses de reclusão em regime aberto e ao pagamento de 10 dias multa pelo furto de R$ 40,00. As sanções foram substituídas por pena restritiva de direitos.A condenação levou em conta o fato de que a vítima do furto, dona de um trailer de lanche, teve subtraída 'toda a renda auferida durante em um longo dia de trabalho'. A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro recorreu, apontando o pequeno valor do bem subtraído.A ministra Ellen Gracie, relatora do recurso, afirmou que, no caso, não estão presentes as quatro condições necessárias para o reconhecimento do princípio da insignificância: a mínima ofensividade da conduta, a inexistência de periculosidade social do ato, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão provocada.'No presente caso, considero que tais vetores não se fazem simultaneamente presentes', disse. Segundo ela, o fato de o valor subtraído ser inferior ao salário-mínimo por si só não autoriza a aplicação do princípio da insignificância, diante da relevância da conduta para a vítima, ou seja, da expressividade da lesão jurídica provocada.'Vale ressaltar que há informações nos autos que o valor subtraído representava todo o valor encontrado no caixa [do trailer], sendo fruto do trabalho do lesado, que passada a meia-noite ainda mantinha o trailer aberto para garantir uma sobrevivência honesta', ponderou Ellen Gracie.ViolênciaO uso da arma durante o roubo de quantia de pequeno valor determinou o indeferimento de HC 96671 (clique aqui) para um condenado a cinco anos e quatro meses de reclusão em Minas Gerais. O crime ocorreu na cidade de Martinho Campos, em Belo Horizonte, em setembro de 2001.O valor da quantia subtraída da vítima nem chegou a ser determinada. Segundo a acusação, o valor seria de R$ 50,00. A Defensoria Pública da União alega que o total roubado foi de R$ 25,00.'De toda forma seria, para nós, algo de muito pouco valor', disse a ministra Ellen Gracie, também relatora do caso. 'Há, no entanto, uso de violência e concurso de agentes [quando mais de uma pessoa está envolvida no crime]', emendou.Essa matéria foi colocada no ar originalmente em 6 de abril de 2009.

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