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Quinta, 28 de Novembro de 2019

Anadef defende respeito às religiões de matriz africana

O respeito à pluralidade religiosa e as críticas aos ataques proferidos pelas religiões de matriz africana no Brasil, materializada em saques, ataques físicos, virtuais que proliferam no país, marcaram a reunião da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, realizada na quarta (27).

A presidente da Associação Nacional dos Defensores Públicos Federais (Anadef), Luciana Dytz, apresentou um vídeo gravado pela Defensoria Pública da União (DPU), que compõe uma série de documentários batizado “Interfaces do Racismo” (veja o link para o vídeo).

“É importante falar com coração. Temos grupos de trabalho com essa temática e temos trabalhado firmemente neste campo da igualdade”, afirmou ela, citando a existência dos GT´s de comunidade tradicional e de políticas etnorraciais.

Luciana lembrou ainda que, em 2016, a DPU atuou junto ao Comitê Olímpico Internacional (COI), para que reservasse um espaço para a celebração de cultos de matriz africana na Vila Olímpica, já que havia espaços para celebrações de outras religiões na área destinada aos atletas.

“Temos a missão constitucional de promover o direito a todos os movimentos sociais. Por isso, lançamos o guia da Tolerância Religiosa, como um mecanismo de resistência”, completou.

Para o coordenador-executivo do Instituto de Defesa das Religiões Afro Brasileiras (Idafro), Hédio Silva Júnior, a maior ameaça é às democracias é a dificuldade do ser humano de conviver com o diferente. “O Brasil é um país plural. E a diversidade humana é um dos maiores patrimônios. Ela melhora a vida das pessoas”.

Na visão de Hédio, não há problemas em as religiões quererem assentar as suas verdades. “O problema é quando elas assentam isso no ataque, na negação, na humilhação das demais”, completou.

O coordenador-geral do Instituto Latino Americano de Tradições Afro Bantu, Pai Waldir Damasceno, declarou que o racismo no país funciona como um mecanismo de poder. “Um projeto de poder de segmentos religiosos que impactam os direitos humanos. Há um incentivo de falas estranhas para incentivar o ódio religioso”, protestou.

Já a representante da subsecretaria de Políticas de Direitos Humanos e de Igualdade Racial do Distrito Federal, Adna Santos (Mãe Baiana), lembrou que a intolerância religiosa começou em 2015, quando o terreiro dela foi incendiada no Paranoá. “Precisamos de respeito, o povo de terreiro está cansado de tanta perseguição.Não chamo mais de racismo religioso, mas de violência religiosa. O ser humano precisa professar a sua fé onde ele quiser”, defendeu.

 

Veja a seguir as principais falas dos convidados

- Sra. Adna Santos (Mãe Baiana) - Representante da Subsecretaria de Políticas de Direitos Humanos e de Igualdade Racial do Distrito Federal.

"Causa que tem causado no Brasil choro, lágrima, morte e desavença. Nosso povo tem sofrido demais. O DF está fora porque, quando minha casa foi incendiada, eu fui à luta, em 2015. Esta intolerância começou no DF."

"Nos levantamos e fomos atrás de nossos direitos."

"Temos a liberdade de crença, como uma pessoa é capaz de pensar de forma diferente? Meu direito começa onde termina o seu."

"Precisamos de respeito, o povo de terreiro está cansado de tanta perseguição."

"Não chamo mais de racismo religioso, mas de violência religiosa."

"O ser humano precisa professar a sua fé onde ele quiser."

"Precisamos de um país que seja laico. Essa laicidade tem sido perdida e desrespeitosa."

- Pai Walmir Damasceno - Coordenador-Geral do Instituto Latino Americano de Tradições Afro Bantu (Ilabantu), e representante para América Latina do Centro Internacional das Civilizações Bantu, Tata katuvanjesi (Ciciba)

"Existem preocupações em rodos os cantos em relação à preservação do patrimônio cultural. Terreiros são locais de ressignificação da vida."

"Estes espaços são violentados diuturnamente."

"O racismo funciona como estrutura de mecanismo de poder."

"Projeto de poder de segmentos religiosos que impactam os direitos humanos. Há um incentivo de falas estranhas para incentivar o ódio religioso."

"Que o parlamento possa se manifestar sobre esses ataques. Terreiros destruídos, pais de santo expulsos, obras e imagens saqueadas." 

- Sr. Hédio Silva Júnior - Coordenador-Executivo do Instituto de Defesa das Religiões Afro Brasileiras -Idafro

"75% dos conflitos armados em curso têm alguma coloração ou motivação vinculada à diversidade humana ou religiosa."

"A maior ameaça às democracias é a dificuldade do ser humano de conviver com o diferente."

"Para o estado laico, o que interessa é o cidadão."

"O Brasil é um país plural. E a diversidade humana é um dos maiores patrimônios. Ela melhora a vida das pessoas."

"Não há problemas em as religiões quererem assentar as suas verdades. O problema é quando elas assentam isso no ataque, na negação, na humilhação das demais."

"Nossa religião é inclusiva."

"21% da grade de religião aberta hoje é ocupado por conteúdo religioso. É o maior percentual."

"As autoridades públicas não se dão conta da gravidade deste problema. Poderemos ter conflitos sociais, porque se existe um sentimento que gera identidade é o sentimento religioso."

- Sra. Vera Lúcia Chioli - Mãe de Santo da Casa Luz de Yorima;

"Que desdobramentos essa audiência vai ter? Morre aqui, vai para o plenário? Isso precisa ser universalizado."

"Até quando haverá pessoas que se acham donos da verdade?"

 - Isabel Cecília Mender Paredes - Coordenadora-Geral de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Terreiros e para Povos Ciganos do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

"Nosso ministério combate todos os tipos de racismo."

"Temos várias políticas voltadas contra a violência."

- Deputado Helder Salomão (PT-ES)

"Religião é espaço de ligação. Se usarmos como confronto e tratar o outro como inimigos, estaremos em confronto com a fé que praticamos."

"Não conheço religião que promova o ódio, mas conheço pessoas que professam fé que fazem esse discurso."

"Ninguém é dono da verdade. Acredito que o ser humano será capaz de rever seu comportamento e ver que, ter religião diferente, será motivo para celebração, não para ataques."

"Se praticamos nossa religião e não praticamos o amor e a compreensão, ela não vale nada, é uma farsa."


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